(In)felicidade

A felicidade e a infelicidade são conceitos subjetivos, pois cada pessoa possui uma forma única de interpretá-los e vivenciá-los. O que traz alegria e satisfação para um indivíduo pode não ter o mesmo efeito em outra pessoa.

Se você for um paquiderme e não compreende isto, faça um favor a si mesmo: pare de ler o que eu escrevo. Neste momento! Ficarei contente em saber que não sou lido por um asno em forma de ser humano.

 


 

Se você continua aqui, é sinal de que tem alguns neurônios em bom funcionamento.

A felicidade é um estado de espírito que varia de acordo com as experiências, valores, expectativas e perspectivas de cada indivíduo. Para alguns, a felicidade pode ser encontrada em pequenas coisas do cotidiano, como desfrutar de uma xícara de café pela manhã, passar tempo com entes queridos ou apreciar a natureza. Para outros, a felicidade pode ser alcançada através de conquistas pessoais, como sucesso profissional, realização de sonhos ou alcançar metas específicas.

Por exemplo, uma pessoa pode sentir-se verdadeiramente feliz ao passear em um parque, absorvendo a beleza da natureza, enquanto outra pode encontrar alegria em experiências mais intensas, como uma viagem emocionante ou um evento especial. O importante é que a felicidade é uma emoção única para cada indivíduo, moldada por suas próprias vivências e percepções. 

Da mesma forma, a infelicidade também é subjetiva e pode ter causas diferentes para cada pessoa. O que pode causar tristeza profunda em alguém pode não afetar outra pessoa da mesma maneira. Situações como a perda de um ente querido, o fim de um relacionamento, problemas financeiros ou a falta de propósito na vida, podem resultar em sentimentos de infelicidade.

Também é importante lembrar que a felicidade e a infelicidade podem ser passageiras e estão sujeitas a alterações ao longo da vida de um indivíduo. Assim, é fundamental compreender que o conceito de felicidade e infelicidade é altamente pessoal e depende das perspectivas e valores de cada um.

Em suma, a felicidade e a infelicidade são conceitos subjetivos que variam de pessoa para pessoa. Cada indivíduo possui sua própria definição e percepção desses sentimentos, que são influenciados por experiências, valores e perspectivas pessoais. Valorizar a individualidade de cada pessoa e respeitar suas diferentes visões sobre o que é felicidade e infelicidade é essencial para uma convivência harmoniosa e empática.

Se você, leitor/leitora, me perguntasse: Você é feliz? 👀

A minha resposta, indubitavelmente, seria: NÃO! 😔

Porque a felicidade é uma situação passageira. Rápida! Um sopro...

E a infelicidade tem o condão de parecer maior sob o ponto de vista temporal, embora eu reconheça que ela é também uma situação momentânea, temporária.

Assim, se fôssemos distribuir no tempo, eu posso afirmar que sou mais infeliz do que feliz. 

"Em quais situações?", você se perguntou mental e curiosamente. Calma. Eu te explico.

Quando estou sem recursos financeiros, o que é a maior parte do tempo, eu me sinto infeliz. Porque o dinheiro dá uma segurança para situações adversas ou mesmo para algumas pequenas extravagâncias que temos de nos privar por não termos recursos.

Quando sou desvalorizado pela sociedade em decorrência do meu ofício (se você não sabe, sou professor), isso me faz infeliz. Porque eu consigo ver, sem qualquer laivo de arrogância, que é por meio da educação que as mudanças sociais, de fato, vão ocorrer. E quando não encontro ressonância em pais, responsáveis, políticos, sociedade em geral, eu me sinto infeliz. Exerço uma profissão e não uma atividade de caridade, portanto, esse papo de amor pelo o que se faz é, com a devida vênia, atitude futre, de quem nunca adentrou uma sala de aula.

Quando ouço comentários desrespeitosos ou agressivos sobre mim. 

Quando vejo injustiças sociais. 

Quando vejo violência de toda natureza.

Quando assisto ao jornal, ação que tenho diminuído bastante, porque em sua maioria só são transmitidas notícias ruins.

Quando eu tenho de lidar com mentecaptos, que ficam arrotando caviar e se sentem muito importantes. 

Quando vejo alguém em sofrimento físico, mental, sentimental. 

Quando algum membro da minha família está em situação difícil. 

Quando o ambiente laboral apresenta um clima desfavorável.

Como você pode perceber, a lista não teria fim. São muitas as situações que me causam infelicidade. 

Por outro lado, obviamente, há muitos motivos para não reclamar e, consequentemente, ser feliz. Vejamos: 

Tenho amigos. Pouquíssimos. Mas que fecham comigo em situações de adversidades👊. 

Tenho saúde. 

Tenho as faculdades mentais preservadas. 

Tenho uma família.

Não tenho casos na família de problemas de drogadição, suicídio, doenças degenerativas ou graves. 

Esses são motivos bons para ser feliz. 

Mas, como disse mais acima, a felicidade a infelicidade são conceitos subjetivos. 

A alegria de viver é um conceito intrínseco. Que independe de recursos materiais. 

Mas, isso, conforme disse mais acima, é para alguns. 

Eu queria certas coisas materiais. Eu tinha alguns sonhos que foram eclipsados. Tive situações não materializadas e que eu depositei todas as minhas fichas (pela metáfora de fichas, você já vê a minha idade). 

Já cheguei na metade da minha existência, se é que eu terei mais tempo neste mundo, e não consegui absolutamente nada do que eu planejei. Nada!

🏊Nadei muito, dei braçadas, mergulhei mares revoltosos, enfrentei monstros no oceano da vida, algumas vezes pensei que iria me afogar e continuei a nadar... mas não atingi a ilha da fantasia que eu tanto quis.

Enfim, não sou feliz. Era isso. Prefiro pensar como o genial Cruz e Sousa, no poema Cárcere das Almas:

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,
que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!

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